Médicos unidos contra proposta do governo

25 Março 2014

A Alumni de Medicina promoveu, na última sexta-feira, dia 21 Março, uma iniciativa com o título “Internato Médico em Debate: Realidades [In]Esperadas”. À mesa estiveram a representante do Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI), Drª Cláudia Melo; a médica interna e antiga dirigente estudantil, Drª Mariana Reis Costa; o membro do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Dr. Rui Guimarães; a presidente do Conselho Distrital de Braga da Ordem dos Médicos, Drª Anabela Correia e o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos (CRNOM), Dr. Miguel Guimarães.

Perante a numerosa assistência que presenciou o debate na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, a Drª. Cláudia Melo enquadrou a discussão na recente proposta apresentada pelo Ministério da Saúde aos parceiros sociais para revisão do regulamento jurídico da formação médica especializada. A dirigente do CNMI e do Alumni da Universidade do Minho qualificou o documento da tutela como “a proposta mais perigosa de sempre” e que agrega “ameaças muito fortes” à organização do internato. “Temos um internato supervisionado por uma entidade autonomia (Ordem dos Médicos), bem organizado e entendo que esse potencial está ameaçado com esta proposta”, referiu.

A Drª Mariana Reis Costa fez uma comparação favorável da organização do internato médico nacional relativamente ao que acontece noutros países. As principais diferenças, citou, estão na garantia de um tutor e na linha de orientação que é estabelecida ao longo da formação específica. Puxando de um espírito sindical que os próprios “Homens da Luta” não desdenhariam, o Dr. Rui Guimarães lembrou as crescentes dificuldades colocadas ao exercício da profissão médica, enfatizando que esta há muito “deixou de ser poesia”. Paradoxalmente, assinalou, sente-se uma crescente acomodação na classe de que é exemplo a vaga de emigração: “é o pior sinal que pode existir, porque significa que as pessoas já nem querem lutar, preferem apenas mudar”. “Se não saírem da zona de conforto, se não saírem do Facebook, não vão resolver nenhum problema”, confrontou o dirigente do SIM.

O Dr. Miguel Guimarães recuperou o debate das alterações ao internato, considerando “inaceitável” o diploma apresentado e lembrando que a tutela “tem a obrigação garantir a formação específica” aos médicos recém-formados. “A Medicina, hoje, não se compadece com a falta de especialização”, observou, lembrando que já no próximo ano vão sair aproximadamente dois mil alunos das escolas médicas para uma capacidade formativa pós-graduada que não ultrapassa os 1600 lugares.

A Drª Anabela Correia, presidente do Conselho Distrital de Braga, lamentou que o Governo esteja a ignorar uma norma europeia que vigora desde 1986 e que determina que só pode exercer Medicina quem tiver diferenciação técnica. “Com esta proposta está-se a cometer um erro grave e com dolo”, reforçou. Para a dirigente será também necessário inverter a tendência de deterioração dos serviços e avançar com a reforma hospitalar, no sentido de recuperar vagas de formação especializada.

[imagem e texto: Nortemédico]