Alunos aprendem Medicina no fim do mundo

22 Julho 2014

“O mais longe possível. É lá para a serra, mas fica longe”, avisa o motorista da carrinha que se prepara para, durante três dias, calcorrear a freguesia de Gondoriz, com seis jovens alunos de Medicina a bordo. Chefia o grupo Sara Moura, a “Capitão Moura”, nome dado pelos colegas, numa brincadeira entre eles aludindo ao antigo programa de televisão “A Liga dos Últimos”. Às suas ordens, estão João, Joana, Nuno, Mariana, Praticcha e Kelly.

António Veloso, 70 anos, homem da terra, é quem conduz. “Vou levá-los a Ferreiros. E assim começa o projeto “Aldeia Feliz” do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho, para seis dos 25 estudantes que se voluntariaram para dar apoio médico a cerca de 200 idosos isolados de cinco aldeias de Arcos de Valdevez. A ideia é que os visitem no domicílio, façam rastreios cardiovasculares, identifiquem problemas de saúde e mobilidade, avaliem das condições de habitabilidade e grau de dependência.

Já no lugar de Ferreiros, a “Capitão Moura” divide o grupo e dá as coordenadas. À dupla João Dourado, de 19 anos, e Joana Silva, de 21, calha visitar a última casa no alto do monte. Não se vê vivalma. Junto a um portão de ferro, chamam várias vezes. Não há campainha. Minutos depois, alguém espreita: “O que é que vocês querem?”

[Texto Jornal de Notícias]