Haja Alumni: Cláudia Bento

4 de Maio de 2021

Atualmente é deputada à Assembleia da República, eleita pelo PSD, e está presente nas Comissões de Cultura e de Saúde. Mas este é apenas um breve período – porque a sua carreira, diz, é ser médica. Estudante da 2ª turma de Medicina, é especialista em Nefrologia desde 2015.

Podemos começar por falar do início do teu percurso em Medicina – na segunda turma do curso na nossa Escola. A área da saúde sempre foi o teu interesse principal?
Desde pequena que o meu objetivo e o meu desejo era ser médica. E sempre lutei para que isso fosse possível. Não consegui entrar em Medicina logo no primeiro ano que me candidatei ao ensino superior por umas décimas, mas voltei a fazer os exames de acesso e consegui entrar na Universidade do Minho em 2002.

A transição do secundário para a universidade foi bastante leve, ligeira e isto porquê? As turmas eram pequenas, tínhamos um piso só para nós, o edifício era novo, tudo topo de gama. Éramos apenas 50 estudantes e ainda éramos divididos em duas turmas, e isto cria um ambiente muito familiar. Por isso é que digo que esta transição foi ligeira e foi bastante positivo.

Uma casa bastante familiar, portanto…
Sim, sim, e é um ponto que devemos valorizar porque é meio caminho andado para nos sentirmos adaptados. Além disso também tínhamos um acompanhamento por parte dos docentes da universidade que nos ajudava muito. Lembro-me que os professores nos conheciam a todos pelo nome.

O aspeto menos positivo que via na altura, que também é importante, foi em relação ao método de ensino. A mim custou-me um bocadinho a auto-aprendizagem, e eu sempre gostei de pesquisar, de investigar, de ir à procura. E eu lembro-me de falar com colegas noutras faculdades e eles tinham, desculpem o termo, a “papinha feita”. Por vezes, como queria saber muito, pesquisava em vários sítios e ficava com a informação importante e com a não importante. Acho que esta também é uma dificuldade que muitos temos, de querer saber tudo.

Seja como for, isto também permite ao aluno desenvolver várias competências para a formação, como a procura, o empenho, o interesse, definir objetivos…

E que memórias ficam desses seis anos?

Nós tínhamos muitas apresentações e eu gostava sempre quando eram os professores a dar, porque conseguiam fazer uma boa síntese. Lembro-me do professor Nuno Sousa por vezes ter de nos “puxar as orelhas” [risos]. Mas sempre a chamar-nos pelo nome todo [risos].

E lembro-me também do professor Jorge Correia-Pinto que usava muitos exemplos e percursos – e a verdade é que ficava na cabeça!

Outra coisa que também achei muito interessante, já não sei bem em que ano foi, era termos um curso muito direcionado para a comunidade. Lembro-me que nos foi atribuída uma família e eu tinha de ir ter com essa família, fazer um inquérito, saber como estavam, fazer um acompanhamento focado. Eu era uma estranha para eles, mas depois à medida que nos fomos conhecendo foi incrível. Estabelecemos uma boa relação, ajudava uma das crianças a fazer os trabalhos de casa – de matemática ou físico-química, já não tenho a certeza. E esse projeto foi uma experiência muito boa e muito importante.

E é o contacto com a nossa comunidade que acaba sempre por ser muito importante para conhecer a realidade.
Sim, é. No início só nos disseram assim: “esta família é constituída por estas pessoas e a morada é esta”. A primeira vez peguei no carro e fui ter à casa. Acharam muito estranho, mas depois correu tão bem que quando ia lá falávamos, percebíamos os problemas que existiam, ajudava a fazer os trabalhos. E sempre que eles tinham algum problema ou alguma dúvida, ligavam-me.

Depois do curso e do internato de ano comum, escolheu Nefrologia. Porquê?

Confesso que o meu sonho sempre foi escolher Medicina Interna. No entanto, os colegas diziam que era uma especialidade muito trabalhosa e tudo mais. Quando fui concorrer, uma vez que sou de cá [Chaves] e como queria voltar para o interior, na altura vi uma vaga em Nefrologia. É uma área que tem muita Medicina Interna e depois se especializa e pareceu-me uma boa opção para conjugar Medicina Interna e uma especialidade mais leve.

Enganei-me completamente [risos]. É uma especialidade mesmo muito trabalhosa, portanto não sei se foi uma boa escolha – mas é uma especialidade muito bonita.

Pelo menos não se arrependeu, certo?

Não, não estou arrependida. Se fosse agora escolhia a mesma opção. É uma área muito importante, com procedimentos de pequena cirurgia, com técnicas muito específicas, com transplantes renais e muitas patologias autoimunes. É uma especialidade mesmo muito rica. Portanto, escolhia novamente Nefrologia. O importante na escolha é sentirmo-nos felizes e realizadas.

A entrada na política nacional dá-se em 2019 na Assembleia da República, apesar de já ter sido deputada municipal em Chaves no período antes. Como é conciliar as áreas?

Neste momento não posso estar a exercer porque não é compatível. Obviamente que também não posso descurar a medicina, porque não havendo prática, não havendo estudo… A medicina está em constante evolução e depois algumas coisas vão-se esquecendo.

E o objetivo não é esquecer, até porque para mim a política não é carreira. A minha carreira é a medicina. Neste momento, tenho de dar o melhor em ambas, mas a política ocupa-me mais tempo.

Como surgiu esta experiência?

Através de um convite e desde 2015 que era deputada na Assembleia Municipal de Chaves. E depois em 2019 fizeram-me o convite, ao qual fiquei muito honrada e com enorme sentido de responsabilidade, e decidi aceitar.

De certa maneira, isto também vai ao encontro da medicina. A medicina tem como objetivo ajudar os outros e tentar fazer o melhor pelos outros. E a política também a vejo dessa maneira. E sendo de uma região do interior tantas vezes esquecida, também posso ajudar as pessoas a ter alguns direitos que esta população tem perdido ao longo do tempo.

E neste momento, é fundamental criar políticas que vão ao encontro das pessoas e, este também é o meu desafio, contribuir para um Serviço Nacional de Saúde a funcionar bem e maior equidade no acesso à saúde.

Pertence à comissão de saúde, o que é fundamental nestas políticas de saúde?

Há várias áreas que considero fundamentais para termos melhores condições e uma melhor saúde. Primeiro, creio que é fundamental haver literacia para a saúde e para o desenvolvimento de práticas protetoras de saúde. Isto porque à medida que vamos envelhecendo, há maior aparecimento de doenças crónicas e estas doenças consomem recursos – e é fundamental que haja literacia e promoção de saúde nesta área.

Neste seguimento, o envelhecimento populacional é uma área em que temos de investir e oferecer apoios na área da saúde mental, por exemplo.

Outra das áreas que tem de ser reforçada, e acho isto fundamental, e a pandemia exibiu as fragilidades estruturais do SNS. Fala-se agora que é muito importante que sejam implementadas medidas de forma a recuperar os atrasos em consultas, cirurgias. E é fundamental dar apoio em saúde mental, através da criação das equipas comunitárias, equipas de continuados na comunidade para a saúde mental. E é importante reforçar com recursos esta área, de forma a que a resposta seja mais abrangente, direcionada e mais rápida.

Falaste na resposta à pandemia. Também estiveste nesse apoio, como voluntária.
A pandemia veio mostrar várias fragilidades, como tinha dito. E todos fazíamos falta. E eu tendo possibilidades, embora seja muito cansativo fazer Chaves-Lisboa-Chaves todas as semanas, senti-me na obrigação e no dever de ajudar os meus colegas e os doentes.

Nós somos formatados a dar o nosso melhor e a ajudar o próximo – e senti esse dever de ajudar e dar um pouco de mim nesta fase.

Por fim, que conselhos para os nossos estudantes e futuros médicos?

Para os meninos – já crescidos… [risos]. Tanto na saúde como na política o fundamental é estarmos realizados profissionalmente. E para isso temos de conciliar a nossa vida pessoal e profissional, irmos à procura e estarmos sempre atualizados.

Eu, e sou uma apaixonada pela medicina, portanto, para mim é uma das coisas mais belas do mundo, mas é uma profissão um pouco desgastante. Exige muito de nós. Temos de ter brio naquilo que fazemos, ser médico implica ter responsabilidade, conhecimento, competência e estar em aprendizagem contínua. Só assim é que podemos ser bons médicos.

A base enquanto médico assenta numa relação médico-paciente e, portanto, nós temos de dar o nosso melhor, para sermos bons. Quando estes jovens fizerem o juramento de Hipócrates, é isso que está lá: tentar fazer o bem e a dedicação ao outro.

 

Texto publicado originalmente na edição n.º10 do HajaSaúde

NEMUM faz doação ao Fundo de Emergência Social

22 de Janeiro de 2021

No final do mandato de 2020, da direção cessante, o Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho doou 1.500€ ao Fundo de Emergência Social da Alumni Medicina, um instrumento de apoio a estudantes que se encontram em situações de necessidade.

O Fundo de Emergência Social é uma iniciativa da Alumni Medicina e da comunidade da Escola de Medicina da Universidade do Minho, que tem como como objetivo ajudar estudantes em situação de emergência social.

 

Apesar de terem sucesso académico, existem estudantes que se encontram em situações de necessidade que colocam em causa a própria conclusão do ciclo de estudos, tendo sido este programa fulcral no apoio a alguns estudantes durante este período de pandemia.
Muito obrigada, NEMUM!

Nuno Gonçalves é eleito presidente da Alumni Medicina

19 de Janeiro de 2021

Nuno Gonçalves é o novo presidente da Alumni Medicina. O interno de cirurgia foi eleito na passada sexta-feira, 15 de janeiro.

A lista eleita conta ainda com Marina Gonçalves, que será vice-presidente, bem como Pedro Morgado que assume a posição de tesoureiro. Na direção estão também Miguel Romano e Vítor Hugo Pereira, ambos com a pasta da Administração Interna.

“A Alumni presta um serviço muito importante para os antigos, mas também atuais estudantes de Medicina da Universidade do Minho”, explica o recém-eleito presidente.

“Esta eleição deixa-nos muito orgulhosos porque nos permite continuar o excelente trabalho das direções anteriores, mas também tentar trazer algo de novo, nomeadamente com a inclusão de mais atividades ao nível do digital, aproveitando a mudança de paradigma que a pandemia trouxe à formação médica. Acima de tudo, a Alumni quer mais proximidade com os seus associados”, conclui.

Nuno Gonçalves substituiu assim Marina Gonçalves, presidente da Alumni Medicina nos últimos quatro anos e que agora será vice-presidente.

A lista vencedora, e única candidata, foi eleita por unanimidade.

Curso ATAM promove formação especializada para anestesistas na Universidade do Minho em colaboração com os Hospitais de Braga, São João e Gaia

25 de Setembro de 2020

A 2ª Edição do Curso ATAM, um curso organizado pela Escola de Medicina da Universidade do Minho, Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ), Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) e Hospital de Braga (HB), por uma equipa com experiência pedagógica e clínica que incluiu os coordenadores dos grupos de via aérea difícil dos hospitais organizadores.

O curso teve o apoio científico da Sociedade Europeia de Via Aérea (EAMS) e pela Sociedade Europeia de Anestesiologia (ESA), tendo sido acreditado pela União Europeia dos Médios Especialistas. Contou com a participação especial de Xavier Onrubia (Representante Espanhol membro do Board da EAMS).

Foram 3 dias de prática, com a partilha de experiências a par do desenvolvimento de competências na abordagem da via aérea avançada, em simuladores na Escola de Medicina da Universidade do Minho e em clínica no Bloco Operatório do Hospital de Braga e no Centro Hospitalar e Universitário de São João.

O Curso contou ainda com a colaboração de anestesiologistas dos hospitais organizadores (CHUSJ, CHVNG/E, HB) e do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga,  Hospital CUF Porto, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e Instituto Português de Oncologia do Porto, num total de 20 formadores.

Nesta edição participaram 30 médicos especialistas e em formação específica nas áreas de Anestesiologia, Medicina Interna e Medicina Intensiva.

Atendendo à componente prática vincada do curso, os responsáveis mantiveram a realização em formato presencial, adaptando o curso às normas de segurança de saúde pública.

 

Entidade Reguladora da Saúde | Candidaturas para Interessados

16 de Setembro de 2020

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) está a aceitar candidaturas na área da saúde, cujo currículo científico e profissional seja suscetível de interessar à Instituição.

Para o efeito, os interessados poderão formalizar o seu interesse, juntando elementos pessoais, académicos e profissionais, desde que reúnam cumulativamente as seguintes condições:

• Referência 2 – Saúde (Medicina, Medicina Dentária, Enfermagem, Análises Clínicas, outras)
Licenciatura nas áreas indicadas;
Média igual ou superior a 14 valores e/ou atividade profissional relevante.


– Carta de Motivação dirigida ao Conselho de Administração da ERS;
– Curriculum vitae detalhado;
– Documentação comprovativa da posse do grau académico e de habilitações profissionais.

As candidaturas deverão ser remetidas para o e-mail bolsa@ers.pt, indicando no assunto do email “Bolsa de interessados – Referência X”.

Poderá encontrar mais informções sobre este assunto em https://www.ers.pt/pt/destaques/destaques/destaques/bolsa-de-interessados/

FUNDO DE EMERGÊNCIA SOCIAL APOIA ESTUDANTES DURANTE A PANDEMIA

3 de Julho de 2020

O Fundo de Emergência Social da Alumni Medicina teve um papel essencial no apoio aos estudantes de Medicina da Universidade do Minho durante a pandemia da COVID-19.

O Fundo de Emergência Social da Alumni Medicina teve um papel essencial no apoio aos estudantes de Medicina da Universidade do Minho durante a pandemia da COVID-19.
O mecanismo de ajuda da associação de antigos alunos apoiou três estudantes que, apesar de terem sucesso académico, se encontram em situações de necessidade que colocam em causa a conclusão do ciclo de estudos.

Este programa de ação social tem ajudado membros da comunidade académica da Escola de Medicina através de verbas doadas por antigos alunos, membros da comunidade ou pessoas externas. Desde já o nosso obrigado a todos os que contribuem para o Fundo de Emergência Social e nos ajudam a apoiar a nossa comunidade.


Como pode ajudar?
Torne-se nosso sócio: https://cutt.ly/qotuhJb
Faça uma doação: PT50 0045 1210 4023 5951 4332 0 ou Paypal secretariado@alumnimedicina.com

SIM ARENA [CANCELADO]

1 de Junho de 2020

A comissão do SIM Arena anuncia a decisão de cancelar a realização da 2ª edição do evento, tendo em consideração a incerteza face à evolução da pandemia da COVID-19.

Tendo em conta a componente prática, de desafio e de interacção que tanto caracteriza este evento, realização do SIM Arena em versão online não se torna viável.

Assim, pretendemos regressar ao ringue em 2021, para uma 2ª edição sem qualquer risco, com muita dinâmica e competitividade.

Haja Alumni: João Braga Simões

25 de Maio de 2020

A ciência não está a ser afetada pelos movimentos contrários à evidência. Mas afeta as perceções do público acerca da medicina, explica João Braga Simões, formado na Escola de Medicina da Universidade do Minho.

A medicina e a ciência estão a ser afetadas pela desinformação e pelos movimentos anti-ciência?

A pergunta tem duas perspetivas interessantes. Eu diria que a medicina como ciência, e a própria ciência, não são afetados pelos movimentos anti-ciência, na medida em que, o conhecimento produzido continua a respeitar os cânones do método científico, a dúvida metódica, a observação sistemática e controlada, a verificabilidade e reprodutibilidade, a revisão por pares, enfim, todo um sistema de checks and balances construído de forma a que o conhecimento gerado possa ser considerado sólido, mas não dogmático. Posto isto, não acho que a ciência seja afetada pelos movimentos anti-ciência.

A ciência e a medicina estão, como sempre estiveram, disponíveis para o contraditório, para serem postas em causa, para serem questionadas. Este é, aliás o motor do desenvolvimento científico. E a falibilidade da ciência é uma condição à partida, reconhecida por todos os que fazem ciência, mas, aparentemente, não suficientemente enfatizada naqueles que recebem os frutos apanhados, descascados e descaroçados da ciência.

O outro lado desta questão, muito mais sensível, é a forma como os movimentos anti-ciência afetam a forma como o público geral vê e apreende a ciência. Nesse caso, claramente, sim, a desinformação e os movimentos anti-ciência estão a abrir brechas de confiança. O que nos traz ao mundo atual, em que vivemos no período da História em que a ciência e o conhecimento são mais escrutinados e mais acessíveis, mas, também, um tempo em que mais conhecimento duvidoso é produzido e rapidamente disseminado. Eu diria que quase que assistimos ao paradoxo do Iluminismo, chegamos a um momento da História em que mais informação não produz mais conhecimento. O desafio é enorme. O argumento de autoridade não basta para veicular uma informação científica ou uma recomendação médica, como era no passado.

A contaminação do público geral com desinformação é tal que os médicos e cientistas têm que estar preparados e munidos de um argumentário consistente, estruturado e, acima de tudo, bem comunicado, para desconstruir mitos.

 

Como se reage a estes movimentos, numa sociedade em que a literacia em saúde atinge níveis reduzidos (apelidados pela DGS “problemático” ou “inadequado”) em metade da população – 60% em grupos vulneráveis?

Antes de mais, temos de conseguir descrever quem são as pessoas suscetíveis de embarcar em argumentos pseudocientíficos. Pegando no exemplo dos anti-vaxxers (pessoas que acreditam que a vacina do sarampo provoca autismo, ou que as vacinas fazem parte de uma estratégia obscura de inoculação de doenças à escala global, para enriquecer a indústria farmacêutica), são os menos instruídos, de meia-idade, de territórios suburbanos e rurais? Ou são aqueles de nível socioeconómico mais elevado, mais instruídos, pais jovens e com filhos a estudar em colégios privados? Ou é algo transversal e pervasivo, que afeta toda a sociedade. Depois de descritas e identificadas, temos de perceber as razões que levam as pessoas a acreditar na desinformação, se é uma desconfiança endémica no sistema, se é fruto de uma propaganda concertada, se é uma questão de falta de instrução e literacia, ou se é um fenómeno de comunidades específicas, de crenças, de vulnerabilidade a fake news. Temos de perceber o contributo que a internet e as redes sociais têm nestes fenómenos. E, acima de tudo, não podemos virar a cara a luta. Não podemos mais ignorar quando detetamos um discurso anti-ciência. Devemos interpelar, expor os argumentos do raciocínio científico. Com urbanidade, sem extremar posições, sem discursos emocionais, mas contrapor, quebrar o ciclo de desinformação.

Um dos problemas da sociedade de informação é que é possível encontrar alguém que partilha de uma mesma ideia absurda do outro lado do Mundo. Isto gera uma sensação de comunidade, que antes deste momento era difícil de alcançar, mas que agora é muito facilitada, e até promovida pelos algoritmos de preferências que as principais redes sociais utilizam. Um terra-planista, existindo, no passado recente, não encontrava facilmente alguém com o mesmo tipo de crença. Hoje, é possível criar comunidades globais sobre falácias que antes apenas recolhiam o apoio de casos isolados.

A internet global permitiu avanços científicos importantes, como a descodificação do genoma humano, por exemplo, que exigiu um trabalho de integração online de dezenas de laboratórios pelo mundo. Mas, ao mesmo tempo, a internet global também expôs a ciência aos ataques dos grupos anti-ciência, possibilitou a criação de comunidades de partilha de falácias, onde teorias de conspiração circulam em circuito fechado, e às quais prestamos pouca atenção porque nos são alheias, porque não nos surgem como sugestão de notícia, ou porque consultamos outro tipo de fontes quando buscamos informação.

O interesse nesta área dos “inimigos da ciência” surge como? Pelo mediatismo atual ou já é anterior?

O interesse surgiu durante um trabalho sobre a prescrição de placebos e a sua relação com a empatia do médico. Nesse trabalho, e na pesquisa bibliográfica que o fundamentou, ficou claro que as atitudes terapêuticas são determinadas por um contexto que não depende apenas da eficácia comprovada de um dado tratamento. Dependem, até certa medida, da expectativa criada em torno de um encontro entre médico e paciente, dos símbolos normalmente associados ao ato de cura, do tempo, da relação entre o médico e o paciente, ou até da evolução natural da doença. Apercebi-me, com este trabalho, do aproveitamento que pode existir por parte de alguns “profissionais de saúde”, sempre disponíveis para apresentar soluções e respostas rápidas, quando a medicina, na sua humildade científica, diz “não existe cura para a sua doença”, ou “não sabemos a causa da sua doença”. Nos momentos em que a Medicina assume as suas fraquezas, há sempre uma pseudo-medicina pronta para entrar em cena e acometer as dúvidas e inquietações de um doente em desespero.

 

Qual a importância de abordar este tema com os estudantes de Medicina?

Os estudantes de Medicina vão estar na linha da frente. Serão, como sempre, embaixadores da ciência, com todas as suas certezas e dúvidas. E têm a responsabilidade de estar preparados para interpretar ciência e traduzi-la para os seus doentes, de uma forma que incuta confiança.

Por isso, os estudantes de Medicina devem ter uma formação científica robusta, mas devem também ser capazes de explicar ciência a quem não teve a mesma formação, sem ostracizar, sem entrincheirar.

Neste debate entre a ciência e a pseudociência, a questão não está na prova ou falta dela, está na crença e no preconceito. Não basta demonstrar evidência, é preciso construir relações de confiança entre médicos e doentes. O médico nunca conseguirá explicar todo o corpo de conhecimento que justifica uma opção terapêutica, nem o doente, por muito instruído que seja, poderá compreender todas as explicações que um médico dá na busca por uma decisão partilhada e informada. A confiança na relação é a chave. Com os nossos alunos de Medicina é isso que tentamos, que sejam comunicadores eficazes e construtores de relações profícuas com os seus doentes.

 

Que papel teve a Escola de Medicina na tua formação profissional e humana?

O meu percurso no curso de Medicina foi atípico. Integrei a primeira turma do Percurso Alternativo em 2011/2012. E a escola médica que encontrei aqui surpreendeu-me. A abordagem curricular das ciências clínicas e básicas, os conteúdos humanísticos transversais, a aposta na comunicação, o fomento da investigação desde fases muito precoces na formação médica são trunfos para a formação dos nossos alunos.

Para mim, foi esta escola que me formou, no seu duplo sentido, que me instruiu e me moldou. E, neste momento, cabe-me também retribuir, com alíquotas de orgulho e responsabilidade, para a formação dos novos médicos desta escola.

 

Texto publicado originalmente na edição n.º8 do HajaSaúde.

Estudo mundial para perceber os efeitos da pandemia na saúde da população

11 de Maio de 2020

​Projeto envolve 200 investigadores de três dezenas de países e pretende inquirir mais de 100 mil pessoas. A coordenação do projeto em Portugal cabe ao nosso alumnus Pedro Morgado, professor da Escola de Medicina

A Universidade do Minho é a entidade portuguesa parceira de um dos maiores estudos de avaliação do impacto da COVID-19 na saúde da população mundial. O trabalho pretende ajudar a identificar os efeitos e os fatores que influenciam o impacto da COVID-19 no bem-estar físico e mental da população. Esta investigação mundial envolve cerca de 200 investigadores de mais de 30 países e quer compreender que perfis de pessoas têm maior ou menor risco de ter problemas de saúde durante uma pandemia.

O “Collaborative Outcomes study on Health and Functioning during Infection Times” (COH-FIT) contará com a colaboração de dois investigadores portugueses: Pedro Morgado (Escola de Medicina da UMinho) e Sofia Brissos (Centro Hospitalar de Lisboa). Através dos resultados das informações recolhidas com este inquérito, que pretende coletar dados de mais de cem mil participantes, os investigadores poderão ainda perceber quais são os fatores de proteção que podem beneficiar as pessoas e criarão programas de intervenção mais adequados para esta pandemia e para futuras pandemias que possam ocorrer.

Este estudo conta com vários parceiros internacionais, como a Associação Mundial de Psiquiatria, a Associação Europeia de Psiquiatria e a organização de Prevenção de Doenças Mentais e Promoção da Saúde Mental do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, bem como várias universidades e associações de saúde nacionais. O projeto é liderado por Christoph Correll, professor na Escola de Medicina de Zucker (EUA) e na Charité – Universitätsmedizin (Alemanha), e Marco Solmi, professor na Universidade de Pádua (Itália) e no King’s College (Reino Unido).

“Esta investigação, ao ser realizada em mais de 70 países, permitirá compreender os impactos das diferentes medidas que foram tomadas em cada país, bem como a influência da existência de diferentes respostas públicas nesta pandemia; os dados obtidos permitirão desenhar respostas de saúde mental que ajudem a prevenir os seus impactos, bem como a implementar programas de deteção precoce e tratamento”, refere Pedro Morgado. O COH-FIT será enviado em três fases: durante a pandemia; seis meses depois; e doze meses depois. Toda a informação é recolhida de forma anónima e sujeita a consentimento informado. O inquérito está disponível em www.coh-fit.com/take-survey.

Coronavírus: “Uma bola gigante com flores”

11 de Maio de 2020

Para os pais que estão em teletrabalho a cuidar de crianças pequenas – como é a minha realidade – é normal o sentimento de culpa de não estarmos disponíveis como gostaríamos para os mais pequenos
“Tenho saudades dos meus amigos e da minha professora.” “Os parques estão todos fechados? Os cinemas também? Mas o planeta Terra fechou?” “Estou zangado. Quero ir para a escola sempre, todos os dias.” (Francisco, 4 anos – feitos em isolamento...)

Parte da saúde das crianças está a ser protegida pelas medidas de isolamento. E a saúde mental? Todas as grandes organizações de saúde lançaram orientações para proteger tanto a saúde mental das crianças como dos seus pais, embora sinta que, na sua maioria, são orientações generalistas, focando essencialmente nas crianças em idade escolar e adolescentes, menosprezando de alguma forma as crianças mais pequenas. Cada fase de desenvolvimento reveste-se de particularidades importantes que condicionam a forma como crianças de diferentes idades veem o mundo e lidam com as adversidades, tornando-se fundamental considerar a etapa em que se encontram para uma comunicação eficaz.

A literatura científica mostra-nos que crianças com apenas 2 anos são capazes de se aperceber das diferenças que surgem à sua volta, das suas rotinas alteradas, da ausência de familiares habitualmente presentes. As crianças pequenas, em idade pré-escolar são egocêntricas, entendem que o que se passa à sua volta pode ser relacionado com elas, ou com alguma coisa que tenham feito e usam a lógica associativa, um tipo de pensamento em que dois eventos não relacionados são explicados ou justificados um pelo outro. O egocentrismo e a lógica associativa levam ao “pensamento mágico” – uma teia de ideias entre a fantasia e a lógica que explicam como a criança pode ter causado algum acontecimento. É preciso estar atento para perceber se as crianças se estão a culpar ou a sentir que isto está a acontecer por algo que fizeram.

É importante não só adequar o vocabulário nas explicações, mas também garantir que compreendem a causalidade do que está a acontecer. Mais do que dar explicações intermináveis sobre esta pandemia, é importante ouvirmos os nossos filhos, corrigirmos erros de perceção. A dado momento percebi que o meu filho de 4 anos achava que o coronavírus era uma bola gigante com flores que ia passar por cá e esmagar tudo. Se nos colocarmos na cabeça das crianças pequenas não é difícil entender este conceito, quando o fundo dos telejornais são telas enormes, maiores do que os próprios jornalistas com imagens do coronavírus ampliado milhares de vezes. Nesta idade, as crianças ainda estão a aprender a falar sobre sentimentos, tendo muitas vezes dificuldade em identificá-los e devemos ser nós, os adultos, a dar o exemplo, falarmos dos nossos próprios sentimentos.

Os jogos são ferramentas úteis, por exemplo, o jogo baseado no livro “O monstro das Cores” de Anna Llenas (Plano Nacional de Leitura), em que a cada emoção se atribui uma cor, podendo de forma simples falar sobre o que nos deixa “daquela cor”. Os momentos de refeição são alturas privilegiadas para conversar em família, cada um pode dizer “a cor do seu dia”, começando pelos adultos… A dificuldade na expressão emocional das crianças, por vezes, leva a alterações comportamentais, como irritabilidade, explosões mais frequentes, birras, regressões desenvolvimentais – como deixar de comer ou dormir sozinho, voltar a fazer xixi na cama…. Devemos estar atentos a estas manifestações e tentar perceber a sua causa. Sentir-se-á culpado pelo que está a acontecer? Com medo? Sozinho porque os pais têm pouco tempo? Saudades dos amigos ou de brincar na rua?

Também nós pais estamos a passar momentos difíceis, de muita ansiedade, em que nem sempre a paciência está nos seus melhores dias. Mas devemos trazer sempre connosco o pensamento de que nós somos os adultos da família, nós somos o seu principal exemplo. Ainda para mais temos uma arma que a maioria deles ainda não possuem – a emoção oculta. Conseguimos deliberadamente ocultar emoções através da gestão da expressão facial. Embora falar das emoções seja importante, devemos tentar disfarçar estados de ansiedade para proteger o contágio.

Para que a saúde mental das crianças pequenas se mantenha é indispensável que conservemos a nossa própria saúde mental íntegra. Para os pais que estão em teletrabalho a cuidar de crianças pequenas – como é a minha realidade – é normal o sentimento de culpa de não estarmos disponíveis como gostaríamos para os mais pequenos, sentirmos que veem mais televisão do que deveriam, ou que os dias não têm horas suficientes para tudo o que precisamos de fazer. E para os pais que, por estarem na linha da frente pouco tempo têm para os filhos ou que para os protegerem os deixaram com outros familiares, lembrem-se que isto não vai durar para sempre e fazemos o melhor que conseguimos, por eles e por nós.

 

Catarina Amaral

Psiquiatra da Infância e da Adolescência

Alumni Medicina, Universidade do Minho

 

Artigo originalmente publicado no Jornal Expresso a 14 de abril de 2020

 

ADS – uma ferramenta para os sócios da Alumni

14 de Fevereiro de 2020

​A aplicação está disponível nas lojas PlayStore a AppleStore para profissionais registados na Ordem dos Médicos e é gratuita para todos os sócios da Alumni Medicina.

​A ADS é uma aplicação desenvolvida na Escola de Medicina da Universidade do Minho em colaboração com a iCognitus (spin-off da Escola de Medicina) e o Centro de Medicina Digital P5. É um instrumento de apoio à decisão clínica na escolha do melhor tratamento anti-depressivo em função dos sintomas apresentados pelo doente.

A ferramenta é intuitiva e de uso bastante simples, sugerindo a adequabilidade de cada opção através de um esquema de cores e indicando tratamentos complementares definidos a partir dos dados introduzidos pelos médicos sobre os seus pacientes. O algoritmo criado para esta app baseia-se em casos clínicos, num extenso trabalho de pesquisa e em literatura selecionada pela equipa de investigação.

​A aplicação está disponível nas lojas PlayStore a AppleStore para profissionais registados na Ordem dos Médicos e é gratuita para todos os sócios da Alumni Medicina.

Todos os sócios da Alumni Medicina podem contactar-nos para receber o seu voucher para a aplicação.

Torna-te sócio por apenas 20€ e indica o teu e-mail nas instruções para receberes o teu voucher para a ADS.




Haja Alumni: Óscar de Barros

10 de Dezembro de 2019

É médico de família, mas faz maratonas entre os concertos, as consultas e casa. O antigo aluno da Escola de Medicina continua a dar relevo ao apoio dado na sua perseguição às artes.

Os “médicos de família”, como são popularmente apelidados, têm uma maior responsabilidade no contacto com as pessoas, principalmente pela proximidade com a população. Como é que isso se reflete no trabalho diário?

Os médicos de família são sem dúvida alguma, aqueles que acarretam maior responsabilidade junto da população. Os cuidados primários são a porta de entrada do SNS, são aqueles que estão próximos e que acompanham a família e sua evolução ao longo dos anos. Esta responsabilidade reflete-se de várias formas no dia-a-dia. É um “pau de dois bicos”. Por um lado, coloca-nos um peso enorme nas costas pela confiança que a população nos deposita, temos de estar quase sempre disponíveis para os mais diversos problemas bem como alerta para a prevenção dos nossos utentes (a nossa “jóia da coroa”) e articulação com os cuidados secundários de forma atempada. Por outro lado, o envelhecimento da população, a crise social e financeira, o aumento da dimensão das listas de utentes, os mais diversos problemas informáticos e de logística, a falta de médicos de família, a não cobertura total da população e as exigências daí derivadas, não nos permitem usufruir da profissão a tempo inteiro. Temos cada vez menos tempo e disponibilidade mental para conseguir gerir a saúde e a doença dos nossos utentes, e das famílias que depositam em nós grandes expectativas. Não é fácil estar sempre disponível, ter a lista de utentes e seus problemas sempre prontos a serem chamados à memória para uma conversa rápida de corredor (um clássico, “Doutor, já agora, não sei se se lembra…”). Todos os trabalhos têm pros e contras, mas considero-me um privilegiado por poder servir uma população que me faz sentir realizado, útil, na qual faço realmente a diferença. A prioridade é o utente, é para o utente que estamos a trabalhar. Educar, prevenir, tratar, cuidar, escutar, aconselhar, ou apenas estar presente são apenas algumas das características que tornam a Medicina Geral e Familiar tão única.

 

Quais são os principais problemas enfrentados enquanto MGF?

Sem dúvida a exigência que é cada vez maior, quer pela população, quer pelas Administrações. Essa exigência deriva do envelhecimento da população, das suas necessidades em saúde que são cada vez maiores, do aumento das listas de utentes, da falta de recursos médicos, humanos, físicos, informáticos, e da necessidade de redução de custos e otimização de recursos que nem sempre são os melhores. Uma nota importante é a cada vez maior desinformação em saúde que é disseminada pelas Internet e pelos Media. Acredito que o combate à desinformação será um papel cada vez mais presente no dia-a-dia do Médico de Família.

 

MGF não é a especialidade mais falada nas escolhas dos alunos. O que te fez optar por esta área?

Inicialmente era minha intenção seguir pneumologia ou psiquiatria. Ao longo dos anos clínicos, embora não tivesse perdido o interesse, fiquei cada vez mais confuso. Com a passagem pelos Centros de Saúde, o gosto pela Medicina Geral e Familiar foi crescendo. Fascinava-me o privilégio de saber de tudo um pouco, orientar, prevenir, educar e principalmente seguir a família como um todo ao longo da sua existência, ser o confidente, a pedra basilar da sua saúde. Na altura da escolha da especialidade, ainda pensei em Imunoalergologia, mas a necessidade de olhar para a família na sua globalidade, em todas as suas dimensões esclareceu-me rapidamente.

 

Que papel teve a Escola de Medicina na tua formação profissional e humana?

O meu primeiro dia na antiga Escola de Ciências da Saúde foi particular, não o vou esquecer. Começou com um “sejam bem-vindos”, em que simultaneamente ouvíamos o Aleluia de Haendel (da obra Messiah), passou por um “lembrem-se que o vosso trabalho é extremamente importante, mas nunca serão mais que os outros profissionais, somos todos iguais e com um objetivo”. E um belíssimo discurso do Prof Pinto Machado. A minha passagem pela agora Escola de Medicina, não foi propriamente fácil. Nos primeiros anos, os anos das ciências básicas, tive uma série de contratempos, alguns deles de saúde, que me dificultaram a vida, chumbei 3 anos. A escola era pequena, com poucos alunos, e todos se conheciam. Isso permitiu mais proximidade entre os colegas e a própria instituição, e permitiu-me longas conversas com alguns professores, por estarem preocupados com a minha situação e queriam ajudar. O Professor Pinto Machado, o Professor Nuno Sousa, o Professor Armando Almeida, a Professora Filipa, a Professora Leonor… entre outros, muito contribuíram para a minha manutenção no curso, pois estive para desistir umas 2 vezes. Muito lhes devo, nunca me irei esquecer deles. Rapidamente percebi que a escola realmente tinha uma componente humana muito significativa, e isso abriu-me os olhos. Pontos negativos existem em todas as escolas, e quem está numa posição decisora ou de chefia numa instituição destas, fica sempre mais exposto a criticas. Fui aluno, fui colega, fui amigo, fui do marketing do NEMUM, fui da coordenação da semana cultural, fui da praxe, fui do estudo e dos canecos, fui da música clássica e da musica tradicional, fui do ténis de mesa da AAUM, fui namorado (o curso deu-me uma esposa magnífica, uma verdadeira cara metade), fui muita coisa… fui uma criança e cresci.

A escola abraçou-me e ensinou-me, o que mais retive foi sem dúvida a importância da componente humana do médico no seu dia-a-dia, sem esquecer que estamos a trabalhar para o doente, e ter sempre presente a multidimensionalidade do ser humano. A Escola de Medicina ensinou-me a não desistir, a não baixar os braços, a lutar por aquilo que quero, a não esquecer o que nos faz felizes. No final do curso seria impossível não ir para Medicina Geral e Familiar dada a proximidade ao utente e dado o seu caracter humano. Dou particular enfoque à exigência das aulas e das avaliações (odiava a exigência que nos era exigida diariamente, agora que trabalho, agradeço todos os dias a formação e preparação que tive), à responsabilidade que nos era incutida, aos domínios verticais e à semana cultural Professor Pinto Machado, e à partilha que nos era permitida. Pude aprender, estudar, partilhar, evoluir noutras áreas, nomeadamente culturais, voltei a estudar algo que estava adormecido, a minha música, e foi por insistência dos colegas e professores, particularmente do Professor Nuno Sousa e do meu colega de casa, meu caro amigo Dr Isaac Braga.

Queria só deixar uma nota breve antes de me despedir. O conceito que o Professor Pinto Machado idealizou para esta escola, muito antes da mesma existir, foi algo de genial e inovador. Por isso tivemos tantas críticas ao nosso modelo de ensino. Agora estamos a colher resultados. Que me desculpem os outros estabelecimentos de ensino… somos especiais. E o modelo?… Pá, Resulta!

 

Texto publicado originalmente na edição n.º 5 do HajaSaúde.

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