Escola de Medicina quer preparar médicos do futuro

25 Maio 2018

O mestrado integrado em Medicina da Escola de Medicina da Universidade do Minho está a atravessar um processo de reforma curricular, procurando criar os médicos do futuro, com uma proposta curricular mais flexível e comunicativa.

O mestrado integrado em Medicina da Escola de Medicina da Universidade do Minho está a atravessar um processo de reforma curricular. Iniciada em maio de 2017, a reestruturação parte de uma “motivação intrínseca” dos docentes e alunos da Escola, tendo por base a medicina do futuro.
O diretor do curso, João Cerqueira, assume o entusiasmo de encabeçar um movimento pioneiro no panorama nacional, mas relembra “o peso da responsabilidade” que essa tarefa acarreta. “A ideia de fazer uma reforma curricular parte do princípio de que o ambiente em que os nossos graduados daqui a uns anos vão trabalhar vai ser diferente daquele para o qual estamos agora a prepará-los”, explica João Cerqueira. Deste modo, a reestruturação em curso pretende adaptar o currículo “para que o graduado tenha um perfil adequado à medicina do futuro”. O processo está dividido em três fases, estando a sua implementação prevista para o ano letivo 2020-2021. A primeira fase, que terminou em setembro de 2017, consistiu na auscultação de pessoas e entidades ligadas à prática da medicina, para que se pronunciassem sobre qual deveria ser o perfil dos graduados em medicina daqui a 10-15 anos. A segunda fase está a decorrer até finais de maio de 2018 e pretende enumerar as formas de responder às necessidades identificadas pelos agentes envolvidos no processo. Para isso foram formados vários grupos de trabalho com vários atores que vão “apontar linhas de atuação”. O docente da Escola de Medicina explica que “cada grupo de trabalho tem uma missão específica na sua área e as áreas são muito variadas”. A terceira fase implica a reorganização do currículo, para que depois “se possa submeter as propostas de alteração às autoridades competentes”.
João Cerqueira afirma que “o resultado desejável” desta reforma seria que os alunos saíssem da Escola de Medicina “a corresponder ao perfil que foi identificado como sendo aquele que vai ser necessário para exercer medicina em 2030 ou 2050”. E que perfil é esse? “Inclui que eles sejam dotados de um excelente raciocínio clínico, que sejam altamente motivados e empenhados na aprendizagem médica contínua, que tenham um grande perfil humanista e uma base científica sólida”, sintetiza o docente. Tudo isto sem esquecer a tecnologia, da qual devem ser conhecedores. João Cerqueira prossegue: “A estas cinco características de perfil associam-se também outras características que nós queremos que o próprio processo final de chegar a esta decisão tenha”. São elas a flexibilidade do currículo, “que proporcione um elevado grau de motivação aos alunos, e que permita também que alunos com diferentes perfis tenham percursos diferentes”.
Ainda em relação à tecnologia, a Escola de Medicina pretende “pôr um ecógrafo nas mãos de cada aluno”. João Cerqueira explica que, de facto, “se o estetoscópio foi uma revelação quando apareceu, hoje em dia há muito pouca informação útil que se consegue retirar de um estetoscópio”. Assim, e embora o ecógrafo não substitua o estetoscópio, há muitos cenários em que a ecografia à cabeceira do doente (feita por não-imagiologistas) é “fundamental”.

“Esta medicina não está a funcionar”
“Eu acho que a medicina do futuro vai ser diferente porque claramente esta medicina não está a funcionar”, considera João Cerqueira. Na opinião do médico, “a maior parte dos serviços de saúde está organizada de forma errada”, em função de resultados que são números, “o que funciona muito bem quando estamos a falar de produzir meias”. E critica: “Claramente não funciona bem quando estamos a falar de doentes nem de doenças. E o que é preciso verdadeiramente é transformar aquilo que são os indicadores de resultados em saúde de uma cultura de produção de números para uma cultura de ganhos em saúde”.
Este é um dos objetivos da reforma curricular, através de uma clara aposta nas capacidades de comunicação clínica e no humanismo dos futuros médicos. “O que nós não precisamos é de ter médicos-robots nem médicos atrás do computador. Nós precisamos de ter médicos que falam cara a cara com as pessoas”, diz João Cerqueira. Esta componente de formação estará bem presente ao longo do curso e, na opinião do docente, precisa de ser desenvolvida. Porque “daqui a 30 anos o que vai diferenciar os bons dos maus profissionais é a capacidade de comunicar”.

Notícia publicada originalmente no site da Escola de Medicina. 
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